Na rota dos Mayas, México

24-04-2018

Esta viagem teve como objectivo combinar a praia com a história e conhecer alguns locais, que por este ou aquele motivo, tínhamos antecipadamente escolhido. A saber foram eles: Chichén Itzá, Tulum, Ek Balam, Coba, Playa Paraiso, Playa Akumal, Playa del Carmen, Valladolid e ainda dois cenotes, o Ik il e o Tamcach-ha. De facto para mim  uma experiência de uma vida!

A partida foi de Lisboa com a Orbest. Tudo muito tranquilo e a viagem sempre com a luz do sol a iluminar o céu, passamos por cima dos Açores, das Bahamas até que aparece a Riviera Maya!

O aeroporto foi o de Cancún, o segundo maior do país e rapidamente fomos para o hotel que nos serviria de base para umas férias intensas.

O Grand Bahia Principe no México é um complexo com 4 hotéis, o Tulum o Akumal o Coba e o Sian Ka'an, este último não está localizado junto à praia.

É um hotel muito agradável. Idêntico ao GBP em Punta Cana.

Nós  ficamos no Grand Bahia Principe Tulum.

A areia é muito branca, mas em algumas zonas há bastantes rochas e corais e é preciso cuidado ao caminhar. Além disso, existem zonas com barreiras para travar as ondas o que torna a praia mais segura, mas um pouco menos natural nessas zonas. 

O hotel tem zonas de praias bem distintas de água quente e onde podemos encontrar muitos ninhos de tartarugas sinalizados, de forma a que não seja perturbado o nascimento destes pequenos animais marinhos.

Nesta foto a baía com as praia dos hotéis do complexo. Da esquerda para a direita: Tulum, no meio Akumal e à direita a do Coba.

Dica, sem dar muito nas vistas experimentem levar um pouco de pão na mão para dentro de água, no mar...

Os funcionários do hotel muito simpáticos e cuidadosos com os detalhes.

À noite aparecem sempre umas criaturas muito curiosas à procura de qualquer coisa...

Uma das minhas tradições é levantar cedo, pelo menos num dia e aproveitar para ver o nascer do Sol que é sempre fantástico nas caraíbas... e aqui não foi diferente!!

Alimentação,  muita variedade, qualidade e quantidade, nenhum defeito a apontar. Além dos buffets tradicionais há também os restaurante temáticos.

À noite existe uma zona onde podemos passear e visitar a zona das lojinhas ou    "Tiendas de recuerdos" no hotel - LOL


Chichén Itzá

Chichén Itzá é o local arqueológico mais famoso e visitado no México. Trata-se do principal cartão postal de toda a civilização maya.

A pirâmide ou Templo de Kukulcán, também é conhecida por El Castillo e é uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno. As causas do declínio desta antiga cidade maya são ainda um mistério. Mas existem várias teorias...

Mas no recinto há outros pontos de interesse como irei mostrar.

O recinto é enorme e recomendo calçado confortável e bebidas frescas, pois aqui o calor quando aperta é complicado de aguentar.

O "El Castillo", mais conhecido por "Kukulcán", é impressionante, altíssimo, com uma perfeição matemática incrível! Na sua face norte a serpente emplumada desce à terra nas datas exactas dos equinócios da primavera ou de outono, devido à sua localização astrologicamente exata! 

"El Castillo" começou a ser construído no dia 1 de janeiro de 1101, tendo apenas sido terminado a 31 de dezembro de 1200. Com cerca de 30 metros de altura, esta pirâmide conta com 91 degraus em cada uma das suas laterais e um no topo da entrada, apresentando assim um total de 365, o que simboliza o número de dias de um ano do calendário solar maya (Haab - cada ano tinha 18 meses ou uinais com 20 dias ou kines). 

Os mayas utilizavam ainda outro calendário, o Tzolkin, também conhecido como calendário sagrado ou dos 260 dias, pois apresentava 13 meses, cada um com 20 dias. Por esse motivo a cada 52 anos os calendários combinam-se.

 Ao bater palmas a uma certa distância da pirâmide é possível ouvir um som equivalente ao de um quetzal, uma ave originária da América Central. Foram todos estes detalhes e outros mais, que tornaram Chichén Itzá património da humanidade em 1988 e numa das 7 maravilhas do mundo moderno em 2007.

(Na parte inferior da escadaria a grande cabeça de serpente do Templo de Kukulcan.)

Outra zona muito interessante é o campo do "Jogo da Bola", onde se jogava a vida literalmente. Aqui ao fechar os meus olhos ouvindo só os sons do ambiente, quase consegui ouvir o ruído da multidão que deveria assistir aos jogos!

O nome original deste jogo é ōllamaliztli, e era um jogo tradicional maya. 

As regras específicas deste jogo diferem, dependendo da época, mas basicamente os jogadores tentavam enfiar uma pesada bola de borracha através dos anéis de pedra (como o da foto), usando para isso os seus quadris.

No fim, o capitão da equipa vencedora era ritualmente sacrificado aos deuses!!

Ao fundo, no lado norte do recinto o Templo do homem barbudo.

Outras magníficas construções podem ser visitadas como o  Templo dos Guerreiros.

O Observatório ou Caracol

Esta construção é uma estrutura redonda de pedra lindíssima, com um teto em abóbada, parcialmente em ruínas, que originalmente deveria ter tido uma forma cilíndrica. 

A escadaria na parte frontal do Caracol encontra-se rigorosamente alinhada a 27,5 graus norte e oeste, perfeitamente com o extremo norte e a posição de Vénus no universo. O Caracol  é um dos mais antigos observatórios das Américas, e destaca a grande importância que a astrologia tinha para os habitantes de Chichén Itzá.


A casa das freiras, era chamada assim pelos espanhóis, já que consideravam que se parecia aos conventos do seu país. Hoje pensa-se que este edifício serviria para fins governamentais.

Esta construção é uma das mais antigas e importantes de Chichén Itzá, e a sua construção data do ano 600 DC.

O Templo do Jaguar, apresenta uma decoração ligada ao ritual dos jogos da bola, onde se podem observar representações de guerreiros. 

Está localizado na plataforma do campo de jogos.

Outros locais do recinto sempre com uma beleza incrível!

O Muro das Caveiras, na linguagem Azteca (Nahuatl) , é um muro bastante grande e está decorado com caveiras, todas com olhos! 

A parte superior foi perfurada com buracos, para provavelmente sustentar em estacas os crânios das vitimas de sacrifícios e guerreiros vencidos.

O templo dos guerreiros (Chac Mool), apresenta uma forte influência tolteca, ocupa cerca de 40 metros quadrados, é formado por 200 colunas e data do ano de 1200 (mais ou menos).

A Casa colorada (Chichanchob), é um dos edifícios melhor conservado de Chichén Itzá. Esta casa poderá ter sido uma residência da elite, apresentando no seu interior bastantes hieróglifos. 
Plataforma de Vénus e as cabeças de jaguar. Este edifício seria provavelmente utilizado para rituais, cerimonias ou danças.

O Osario ou tumba do sumo sacerdote, foi construido como uma versão mais pequena do "El Castillo".

A Igreja, tal como o nome indica mais um local de culto.


Cenote Ik Kil

Os cenotes, dolinas/cavidades naturais ou "poços naturais" eram para os mayas portais para o submundo, onde, por esse motivo, executavam sacrifícios. 

A península de Yucatán não tem rios, apresentando em vez destes uma vasta rede de canais subterrâneos e é aqui que aparecem os cenotes que podem ser de três tipos, a céu aberto, semi-abertos ou totalmente subterrâneos. 

Os cenotes constituíram para os mayas uma importante fonte de água potável (ou pelo menos seria potável antes de começarem a executar os sacrifícios). 

Uma das histórias que me recordo de me contarem em Chichén Itzá, por locais, foi que uma das possibilidades apontada ao declínio daquela cidade foi o facto de os sacrifícios humanos nos cenotes terem tornado as águas impróprias para consumo sem que os habitantes se apercebessem! 

O cenote Ik Kil possui cerca de 60 metros de diâmetro e 40 de profundidade (mais 26 entre o nível do solo naquela zona e as águas do próprio cenote) com a água a rondar os vinte e poucos graus. 

Posso dizer que nadar nestas incríveis formações geológicas é algo de sobrenatural. Uma experiência de uma vida, sem dúvida.


Ek Balam

As ruínas mayas de Ek Balam ficaram escondidas durante séculos na selva tropical do Yucatán. Este complexo foi construído há mais de 2300 anos!

Dos 45 edifícios já identificados e descobertos pelos arqueólogos só 17 estão abertos ao público.  Os restantes aguardam a sua exploração.

As ruinas de Ek Balam, foram abertas ao público há poucos anos, pois foram os últimos locais arqueológicos a serem descobertos na região. A sua escavação só começou em 1998!

Talvez seja por esse motivo que é um local tão bem preservado e também menos conhecido do que  Chichén Itzá. 

Dos 12 km² que ocupava a cidade, apenas o centro foi já escavado e pode ser visitado. 

Não é uma área muito extensa, mas conta com construções significativas para cultura maya. 

A magnifica Acrópole - esta construção tem cerca de 32 metros de altura e é uma das mais volumosas da Mesoamérica.

É diferente de Chichén Itzá, e ainda é permitido subir até o seu topo. São 106 degraus. A subida é cansativa! No entanto, ao chegar ao cimo, vale a pena todo o esforço. A vista panorâmica é incrível...

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As decorações das paredes da Acrópole, são feitas de estuque. Este, com uma cor esbranquiçada, dá forma a representações de guerreiros, deuses e animais. A entrada da tumba do rei tem uma espécie de escultura que lembra a mandíbula de um jaguar - o que se relaciona ao próprio nome da cidade.

O termo Ek Balam tem origem no idioma maya yucateca e significaria Jaguar Negro (ek, negro; balam, jaguar).

As duas construções que se destacam em Ek Balam são o Palácio Oval e a Acrópole. Estas estão em lados opostos da praça central. Em ambas é possível subir e admirar a paisagem envolvente. E vale a pena...

Cada pedra carrega uma carga emocional que parece querer contar uma história. Mais do que as palavras deixo mais algumas fotos deste magnífico local.

Um campo de jogos em Ek Balan.

Ao contemplar a selva do cimo da Acrópole, é fácil de entender o porquê de em pleno século XXI, ainda existirem tantos tesouros por descobrir nesta zona!

O horizonte é todo verde e certamente esconde outros segredos por revelar.

Há indícios da ocupação de Ek Balam desde o século 4 a.C., mas a cidade viveu o seu apogeu entre os séculos 7 e 10 d.C.

A cidade entrou em decadência nos séculos seguintes e provavelmente estava abandonada quando os espanhóis chegaram ao México.

Sem dúvida um local muito especial.


Valladolid

Valladolid é uma pequena cidade colonial fundada em 1543. Está localizada na região central da Península de Yucatán. Dista somente 45 km de Chichén Itzá.



Tulum

TULUM significa cercado, trincheira ou "Muralha". Mas este nome é recente!

O nome original era Zamá, que significa manhã ou amanhecer. A cidade foi erguida numa área de risco, em frente ao mar do Caribe. Localizada a 127 km de Cancún, estava protegida por uma muralha tendo só uma "abertura" pelo lado do mar, onde ainda assim existe a segunda maior barreira de coral do mundo que se estende até ao Belize (Barreira de coral do Belize - 300 km de comprimento) que protegia esta cidade maya funcionando como barreira natural.


Tulum foi fundada no século 6 d.C. e após a chegada dos espanhóis no século 16 d.C. entrou em decadência e foi abandonado.

Localizada à beira-mar a cidade era um importante porto e entreposto comercial.

As construções em Tulum são baixas, sendo o El Castillo a mais alta.

Se há locais no nosso planeta que naturalmente são imponentes, Tulum tem de estar no TOP...

As ruinas de Tulum são visitada anualmente por milhares de turistas, sendo que é a única zona arqueológica que os mayas nos deixaram mesmo junto ao mar do caribe.

É difícil encontrar palavras para descrever Tulum!

Estes são os habitantes da zona...

Tulum é o terceiro local arqueológico mais visitado do México, não sendo muito grande bastam um par de horas para a sua visita. Convém ir cedo pois por um lado o calor e por outro a quantidade de turistas acaba por tornar a visita menos interessante...

Conta a sabedoria popular que ao amanhecer no dia do solstício de inverno, o sol aparecia numa pequena janela do El Castillo, evidenciando a ligação da cidade de Tulum com o mar e o ambiente cosmológico.

Alinhamentos semelhantes ocorriam noutros edifícios mayas durante os equinócios, tais cálculos astronómicos permitiam aos governantes mayas controlarem as populações, que certamente assistiam a estes fenómenos com grande estupefação e acreditando que o Deus sol se encontrava às "ordens" das suas autoridades religiosas e governamentais.

E é por esta razão esta cidade era conhecida pelos mayas originalmente como Zama, que significa "Amanhecer". 

A área arqueológica de Tulum é bem mais pequena do que a de Chichén Itzá ou Cobá. Além disso as construções em Tulum ficam muito próximas entre si.

Tulum é considerada a mais bela das praias da Riviera Maia. As ruínas  arqueológicas e o mar azul turquesa combinam na perfeição.


Cobá

A cidade maya de Cobá encontra-se localizada a noroeste de Tulum, aproximadamente a duas horas e meia de Cancún.

A cidade de Cobá tem indícios de ocupação desde o século 1 a.C. Teve o seu apogeu no século 11 d.C., quando se tornou uma das principais cidades da civilização maya.

É uma das cidades mayas mais antigas e mais que existiram. Estima-se que teve uma população de aproximadamente 50.000 habitantes entre os anos 500 e 900 d.C.

Para se apreciar todo o recinto é necessário atravessar grandes espaços na selva e a bicicleta é a melhor opção. Estima-se que só 10% da cidade está já descoberta.

Conhecido como O Cruzamento, esta é uma das construções  mais emblemáticas com uma estrutura semicircular onde se encontram os vários caminhos que vêm de todas as zonas das ruínas.

O principal templo de Cobá é a Pirâmide de Nohoch Mul que tem 42 metros de altura (12 metros a mais que a pirâmide de Chichén Itzá).

Um dos motivos pelo qual merece a pena visitar Cobá é porque tem a pirâmide maya mais alta da península de Yucatán (Nohoch Mul).

Os degraus são estreitos e irregulares e por isso muitas pessoas utilizam a corda para subir e descer. E muitos descem sentados!

Pode-se apreciar ainda um templo denominado  "La Iglesia". Este monumento fica junto do campo de jogos e pertence ao grupo de construções mais perto da entrada da cidade.

Cobá é dos poucos achados arqueológicos já descobertos e ainda não explorado e restaurado na sua totalidade. Um dos motivos principais é por se encontrar na selva em zona de difícil acesso e coberta de vegetação muito densa. 

Os arqueólogos estimam que ainda se encontram mais de 5000 locais por explorar só nesta zona da península do yucatan.


Playa Paraiso

Esta praia tal como o nome indica é fantástica, do tipo postal! Mas se quiserem conhecer, quanto a mim, praias ainda superiores visitem o meu post sobre as minhas férias na zona Punta Maroma.

A areia fina e a água quente aqui combinam na perfeição!


Playa Akumal

Praia Akumal, esta famosa praia tem a particularidade de podermos nadar com tartarugas marinhas. Estas vêm até aqui alimentar-se de algas e proporcionam momentos incríveis. Eu tive sorte de nadar com elas, mas infelizmente não tenho fotos do momento...

Estas foram umas férias fantásticas e para isso também contribuiu o Sr Espinosa com as suas explicações completíssimas e dicas imprescindíveis.


Playa del Carmen

Por último ainda ouve tempo para umas últimas compras na 5ª Avenida em Playa del Carmen.