O segredo dos Templários - Tomar, Portugal

29-06-2018


Desta vez fui visitar o Convento de Cristo de Tomar, que na realidade é um conjunto de monumentos espalhados por mais de quarenta e cinco hectares, englobando diferentes edificações construídas ao longo de sete (!) séculos de história e onde se destacam o castelo medieval e a Charola templária, os claustros quatrocentistas, a igreja manuelina, o convento renascentista e o Aqueduto de Pegões! É quase uma cidade na margem direita do rio Nabão!

A fachada norte do convento de Cristo de Tomar foi construída sobre vestígios militares de épocas muito antigas e que se perdem no tempo desde a época romana, à visigoda até à muçulmana!

A primeira edificação medieval foi um castelo templário com uma capela no centro, a "Charola". Este monumento terá começado a ser construído em 1160 por ordem de D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, após uma doação feita pelo rei D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, aos templários da vila de Tomar e das terras compreendidas até Santarém como forma de consolidar os territórios que haviam sido reconquistados aos Árabes e como parte de um sistema de fortificações entre os rios Tejo e Mondego.

Todo este imenso complexo pode ser dividido em 3 espaços com caracteristicas diferentes: O primeiro, as ruínas do castelo templário e a casa templária, parcialmente adaptada a palácio e convento por D. Henrique. A segunda, a  zona do convento, com os seus cinco claustros com os respectivos dormitórios, refeitórios, cozinhas, scriptorium. Por último, os restantes espaços que eram utilizados pela "vida monástica".

A zona do Castelo Templário é um exemplo excepcional de arquitetura militar da época, onde se destacam três muralhas que delimitavam uma primitiva cidade "intramuros" a chamada Almedina com a zona interior com o pátio de armas, a zona habitacional dos cavaleiros templários, a Alcazaba, a torre de homenagem, e a Charola, capela templária símbolo do mundo medieval europeu, das cruzadas e da defesa da fé.

O castelo é uma fortificação que incorpora soluções técnicas  inéditas na época em Portugal e presumivelmente importadas do Médio Oriente, como o talude de reforço na base da muralha para manter à distância os inimigos e assim aumentar a segurança.

Concluída em 1190, a Charola era o oratório privativo dos Cavaleiros, no interior da fortaleza. A sua tipologia é comum das igrejas bizantinas, a qual volta a integrar o românico com o movimento das Cruzadas.

Mesmo que não seja apaixonado por história e religião, acredito que a Charola do Convento de Cristo o impressionará. É algo único.

A maior transformação deste monumento começa em 1515, quando D. Manuel I encarrega o arquiteto Diogo de Arruda, em converter o Templo Romano numa Igreja de planta longitudinal, o que tornou necessário romper a muralha oeste.   
A antiga Charola foi transformada em capela principal e assim se alterou o conceito da centralidade, mas sem acabar com a ideia simbólica em relação ao santo Sepulcro.

O sotocoro, primeiro sacristia e posteriormente sala capitular, está iluminada por duas janelas, uma a sul, parcialmente tapada pelo Claustro principal, e outra na parte ocidental, com uma excelente decoração exterior e conhecida como "Janela do Capítulo" um dos elementos mais famosos do convento.

Em frente à entrada sul da igreja, no fim do século XV começou a ser erguida a nova Casa do Capítulo, onde se reunirem as Cortes convocadas por Felipe II, e onde foi legitimado como rei de Portugal.

O Claustro da Lavagem é de planta quadrangular de dois pisos com cobertura de madeira. O piso inferior, era onde se encontravam as cozinhas, os armazéns e os quartos dos criados.

A galeria superior, era onde estavam os dormitórios e de onde se acede ao Claustro do Cemitério. Os azulejos de ambos claustros são do século XVI, da época manuelina.

Nesta zona também se encontra a Capela de São Jorge, que no fim do séc. XV, já no reinado de D. Manuel I, começou a desempenhar funções de sacristia.

Em resumo vale bem a pena visitar esta zona que nos envia para épocas bem remotas!


Barragem de Castelo de Bode

A barragem de Castelo de Bode (pertencente a Tomar) localiza-se na bacia hidrográfica do rio Zêzere tendo acabado de ser construída em 1951. Esta é uma das barragens portuguesas mais importantes, abastecendo de água a cidade Lisboa. Além de reservatório de água esta produz energia elétrica e é também utilizada para lazer e praticar desportos náuticos com o Windsurf ou a vela.